Ele foi

Eu sabia que ele iria. E ele foi.

Cheguei cedo, na hora… Fiquei feliz, sua presença não estava na mente, nem no físico. Brinquei, conversei… Fui comer. Viajei. Até do rolê principal eu havia esquecido, mas tudo bem. Essa é a vida.

Voltamos do lanche, entrei e do meu lado ele estava. Olhos vidrados, como quem de nada sabe, eu disse um oi inaudível e abaixei a cabeça… Fui mergulhar no conhecido, naquilo que me cabe e sei lidar; a militância diária de negra ser/estar.

Dialogo, leio pessoas, momentos, ideias. Temendo o escanteio de não ser por inteiro.

Digo/ouço/digo/ouço/pensooo

Penso nele e nela… A menina que ele anda seguindo em frente. Eu ainda não a mirei, não quero ver o rosto dela… Não sei quem é e não faço questão, é algo do destino; ela não tem culpa de toda essa imensidão.

Vou ao banheiro, temo vê-lo, porém desejando e desejando mais um olhar… Uma esperança sequer, de volta? Recomeço? Não sei… Só um pigarreio.

Volto, ouço, escuto.

A hora parece um luto, passa rápido, mas permanece na preocupação, pensamento. Moro longe de onde estou… Uma travessia nessa cidade cinza.

Despeço-me de todos.

Ele. Um abraço. Ele culpado, sinto. Eu, inerte, fechada. O que significa isso? Ela está no chão, não somos amigos, você não me responde mais… Não sou mais seu abrigo. Mas o torpor este fica e se dissemina pelo meu corpo que rejeita qualquer algo/alguém novo ou velho.

Toda vez que o vejo, uma mão vem a minha cara e um tapa é dado. Por ter feito uma escolha, da qual eu não me arrependo, mas se fez muito dolorida.

É difícil escrever sobre ele. O primeiro homem que me amou, o primeiro que tudo me doou… E eu simplesmente não tive apreço, não soube. Reluto a escrita, mas ela me chama a todo o momento. Chama de minha vida, é o que vem sendo.

Ele é tão lindo, nobre e ingênuo. Lembra o gosto de algodão doce… Nuvem formando formas no céu… Infância… Acalento. Tudo aquilo antes do meu ser inteligente.

Torpor, dormência. É assim que me sinto, quando nele penso, falo, sinto… Sempre.

Não sei o que será de mim em relacionamentos passionais daqui pra frente. Parece solidão, isso de eu querer voltar e ele ter seguido em frente… Mas prefiro ver como solitude, aquilo dantes, de ter terminado com uma das melhores pessoas da minha vida, sabendo de todas essas consequências.

Sábado, 01/08/2015.

Jê Ernesto

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